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domingo, 19 de julho de 2009

Apnéia obstrutiva do sono


Quem ronca sabe que esse problema é mais que um pesadelo. Pior, pode ser o sinal de uma doença que atinge 3% da população mundial, a Apnéia Obstrutiva do Sono (ASO). Trata-se da interrupção respiratória ocorrida durante o sono que pode levar a uma série de conseqüências como: sonolência excessiva durante o dia, estresse, depressão, propensão à sonolência enquanto estiver dirigindo, comprometimento da libido, hipertensão arterial e desgastes físicos e mentais. Tudo isto como conseqüência de noites mal dormidas. De acordo com pesquisas recentes, a Apnéia do Sono está classificada entre as doenças que mais matam no mundo. Tal ocorrência pode acontecer durante o sono, por acidente de trânsito ou por problemas cardíacos, como acidente Vascular Cerebral (AVC) ou infarto. A Apnéia Obstrutiva do Sono atinge em sua maior parte homens, sobretudo obesos, e mulheres após a menopausa, porém, também pode ser de origem hereditária atingindo inclusive a criança.

Durante o sono normal, os músculos que controlam a língua e o palato mole mantêm a passagem de ar aberta, porém eles estão relaxados e a passagem de ar torna-se mais estreita, bloqueando parcialmente a entrada de ar. A inspiração faz com que a parte mais macia e flexível da garganta vibre, produzindo o ruído do ronco. Se a garganta é especialmente estreita ou os músculos estão muitos relaxados, a passagem de ar fica completamente bloqueada, impedindo a respiração, e, nessa situação ocorre a Apnéia do Sono. Como não existe cura, foi desenvolvido pelo Dr. Collin Sullivan, em 1971, nos Estados Unidos, o CPAP, equipamento que funciona como gerador de fluxo de pressão positiva para auxilio ao portador da síndrome da Apnéia do Sono.

Desde 1991, a GER-AR Comércio de Produtos Médicos Ltda, por meio de seu diretor, o engenheiro Dalton da Costa Cabral, representa com exclusividade no Brasil toda a linha de geradores de fluxo não invasivos de fabricação da Resmed/Sullivan, CPAP – AUTO CPAP – VPAP e atualmente a linha completa de equipamentos para diagnóstico e titulação da marca EMBLA. Com o intuito de divulgar seus produtos e fornecer treinamento técnico e demonstrativo de toda a linha de equipamentos dirigida a área do sono, o grupo disponibiliza ao mercado mais uma empresa denominada GER-AR SONO – CENTRO DE DIAGNÓSTICO DO SONO. A empresa é formada por uma equipe de médicos, fisioterapeutas, e técnicos especializados na área do sono. Contando com a experiência de quem há 35 anos vem se dedicando ao segmento da área respiratória, sendo que nos últimos 12 anos dirigidos exclusivamente à medicina do sono, a GER-AR SONO oferece os seguintes serviços: Relatórios para análise de eventos respiratórios Diagnósticos de apnéia do sono, Vídeo digital, Análise de movimento periódico das pernas (PLM), Oximetria entre outros.

A GER-AR SONO possui um centro de diagnósticos de última geração com duas suítes completas cuidadosamente decoradas e equipadas com sistema de micro-câmeras, incluindo conjunto de placas infravermelho, para garantir total visão dos movimentos do paciente. As suítes são equipadas com aparelhos automáticos "No Invasive Pressure Blood" (NIPB), para monitoramento da pressão arterial do paciente, além de oxímetros de pulso automático com leitura direta na central durante acompanhamento técnico. O paciente tem à mão um inovador sistema de chamada, além de suporte médico-hospitalar 24 horas. Ao final da noite de sono garantido e de diagnóstico detalhado, é servido um completo café da manhã.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Fumar maconha causa danos respiratórios

Os dados foram revistos por grupos da Yale University School of
Medicine e da Case Western University School of Medicine.


Tabagismo e sua associação com doenças pulmonares, como, por exemplo, o
enfizema, são conhecidos de boa parcela da população. Mas as
complicações respiratórias causadas pelos cigarros de maconha ainda
merecem esclarecimentos. Preocupados com isto, pesquisadores da Yale
University School of Medicine e da Case Western University School of
Medicine, nos Estados Unidos, resolveram fazer uma revisão sobre os
resultados das pesquisas científicas relacionadas ao assunto. Suas
conclusões foram publicadas no ?Archives of Internal Medicine? no final
de fevereiro último.

O grupo selecionou artigos publicados através dos bancos de dados
MEDLINE, PsychINFO, e EMBASE. ?Todos os estudos por nós coletados
avaliaram o efeito de fumar maconha sobre a função pulmonar e
complicações respiratórias, de acordo com critérios predefinidos, desde
1° de janeiro de 1966 a 28 de outubro de 2005?, dizem os pesquisadores.
Segundo eles, dois revisores independentes avaliaram a qualidade dos
estudos, baseado em critérios estabelecidos por aplicabilidade clínica e
metodologias de pesquisa.

Os dados obtidos foram chamados de "/challenge studies/" se examinassem
a associação entre o uso de maconha no curto prazo e a resposta das vias
aéreas; outros relatórios foram classificados como os estudos da maconha
em longo prazo dos que fumam e função pulmonar ou complicações
respiratórias. ?Onze de 12 estudos do challenge encontraram uma
associação entre a administração no curto prazo de maconha e
broncodilatação (ex: aumentos de 0,15-0,25 litros em volume expiratório
forçado em 1 segundo)?, dizem os autores. Por outro lado, não foi
encontrada nenhuma associação consistente entre fumar maconha por longo
prazo e medidas de obstrução do fluxo de ar. Entretanto, todos os 14
estudos que avaliaram uso da maconha a longo prazo e as complicações
respiratórias observaram uma associação com aumento dos sintomas
respiratórios, incluindo tosse, escarro e sibilância (chiado).

Diante das evidências, os pesquisadores afirmam que, mesmo não tendo
encontrado dados conclusivos sobre medidas de obstrução do fluxo de ar
para longo prazo, ?fumar maconha por longo tempo está associado a
sintomas respiratórios aumentados, sugestivos de doença pulmonar
obstrutiva?.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Apenas 30% dos pacientes com Parkinson usam os medicamentos prescritos


Dados internacionais mostram que a causa disso é falta de conversa e de esclarecimentos sobre a doença.


No dia 11 de abril acontece a Campanha Nacional da Doença de Parkinson.
O evento produzido pela Academia Brasileira de Neurologia (ABN) que
conta com o apoio dos laboratórios Roche e Boehringer Ingelheim, será
realizado em nove estados do Brasil. A organização da campanha, seus
objetivos e detalhes sobre a doença de Parkinson foram apresentados
durante coletiva de imprensa realizada hoje em São Paulo no Hotel
Sonesta São Paulo Ibirapuera.

Na data estipulada serão expostos ao todo 11 stands pelo país. Em São
Paulo o evento acontece no MASP e Sesc Carmo; no Rio de Janeiro no
Aeroporto Internacional Tom Jobim e no Shopping Iguatemi; em Curitiba no
Shopping Estação; em Porto Alegre na Associação Médica do Rio Grande do
Sul; em Belo Horizonte no Shopping Cidade; no Distrito Federal no Pátio
Brasil Shopping; em Goiânia no Goiânia Shopping; em Sergipe no Shopping
Jardins e no Ceará no North Shopping.

De acordo com os organizadores do evento, o objetivo principal da
campanha é informar à sociedade sobre a doença mostrando quais são os
sintomas, o papel importante e imprescindível do neurologista e ainda,
revelar à população que a doença de Parkinson tem tratamento. No
entanto, no evento não haverá consultas médicas. As orientações serão
feitas através de folhetos informativos e cartazes.


*Sintomas*

Durante a coletiva, o médico Henrique Ferraz, membro do Departamento de
Transtornos do Movimento da ABN e professor afiliado-doutor da
disciplina de Neurologia da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp),
explicou que os sintomas da doença de Parkinson são ?tremor,
enrijecimento muscular, lentidão nos movimentos e modificação na
postura?. A doença é causada por um processo degenerativo que ocorre no
sistema nervoso central. No entanto, o médico alertou para outras
possibilidades que podem gerar os sintomas descritos que compõem o
quadro de parkinsonismo, mas que não são causadas por degeneração. Por
exemplo, o uso de determinados medicamentos, intoxicações, problemas
circulatórios cerebrais, lesões traumáticas cerebrais.

?A doença de Parkinson está presente em todo o país, atinge homens e
mulheres de forma estatisticamente muito semelhante, sendo que em homens
é um pouco mais freqüente, e geralmente, inicia após os 50 anos de
idade?, disse Ferraz. Ele acrescentou que quanto mais idoso for o
indivíduo mais riscos apresenta de desenvolver a doença.

O professor revelou que ainda não se conhece a causa da doença? até
hoje é um mistério, então, não há tratamento que a cure
definitivamente?, disse. Entretanto, os esforços para desvendar a doença
de Parkinson não são recentes: ?em 1817 James Parkinson descobriu-a,
descrevendo-a como paralisia agitante?, lembrou, reforçando que embora
não haja cura, o tratamento pode oferecer uma boa qualidade de vida.

O médico explicou que a doença atinge o mesencéfalo, parte do cérebro
humano. Nesta região é que ocorre o processo degenerativo, que resulta
na diminuição da produção da dopamina (neurotrasmissor). Segundo Mônica
Santoro Haddad, coordenadora do Departamento de Tratamentos do Movimento
da ABN e Médica Assistente da Divisão de Neurologia do Hospital das
Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, ?desta forma, um processo que
é natural do envelhecimento ? já que ao longo do tempo normalmente o
homem perde dopamina ? é intensificado?, e acrescentou: ?o doente em
algum momento passa a perder mais aceleradamente?.


*Estatísticas*

Segundo Henrique Ferraz, a prevalência da doença é de 180 a 250 doentes
por 100 mil habitantes. O médico revelou que os dados são
internacionais, pois ?no país não há muitas estatísticas de Parkinson?.

Um dos estudos realizados no Brasil foi promovido em conjunto pela USP,
UFMG e Fiocruz na cidade de Bambuí, Minas Gerais. De acordo com dados de
material impresso distribuído no evento, este estudo, realizado
porta-a-porta em 2005, foi feito na primeira fase por meio de
questionários de rastreio (1.185 participantes com 64 anos ou mais), e
na segunda, por exames neurológicos. Os resultados mostraram que 7,2%
dos participantes apresentavam parkinsonismo (sintomas comuns ao
Parkinson, mas que podem ser causados por outras doenças também) e
desses, 3,3% tinham a doença de Parkinson. O médico lembrou que, de
qualquer forma, ?embora os dados sejam importantes para se conhecer mais
a doença no Brasil, eles não podem ser expandidos para toda a população
brasileira?.


*Tratamento*

Mônica Haddad explicou que o tratamento do Parkinson é sintomático.
Segundo ela, a terapêutica gera ?alívio sintomático (motor/ não motor)?,
que pode ser medicamentoso ou cirúrgico. Enquanto o medicamentoso
envolve a associação de várias drogas, o cirúrgico só deve ser indicado
ao paciente quando este não responde mais ao tratamento com
medicamentos. Além disso, ?um importante auxílio na terapia deste
paciente é o suporte composto por exercícios, nutrição, psicologia e
educação?, disse a médica.

Ela ensinou que o diálogo entre paciente e médico, são muito
importantes. Dados internacionais mostram que a falta de conversa e
esclarecimentos sobre a doença fazem com que só 30% dos pacientes usem o
medicamento como foi prescrito?, disse, acrescentando que ?não há um
melhor tratamento, e sim, um tratamento mais adequado a cada paciente em
particular?.

O início do tratamento deve acontecer quando for identificado prejuízo
funcional. E é fundamental, segundo Mônica Haddad, informar ao paciente
que ?a doença vai progredir e que, então, a terapia terá que sofrer
ajustes?.


*O tratamento no SUS*

Henrique Ferraz reforçou que a intenção da campanha é ?divulgar que a
doença existe, que há tratamentos e que estes melhoram a qualidade de
vida do paciente e, ainda, que o tratamento é acessível a população,
pois o governo fornece remédios?. Segundo material impresso divulgado
pela assessoria da ABN, o ?gasto previsto é de R$ 483 milhões com
medicamentos excepcionais?, informa texto referente ao orçamento do
governo dedicado à categoria de medicamentos que inclui as drogas da
doença de Parkinson.

Embora haja planejamento de distribuição do tratamento à população,
?muitos acabam desistindo. Os pacientes que têm um pouco de dinheiro
recorrem às farmácias particulares, os que não estão com a doença em
estágio inicial abandonam, de forma que, apenas os pacientes em estágio
avançado e sem condições é que continuam com o tratamento do SUS?
revelou o médico. Segundo Ferraz, esta realidade é conseqüência da
grande burocracia a que o paciente é submetido durante o processo de
aquisição do medicamento. Ele comparou o processo a uma ?gincana? e
acrescentou que embora seja ?efetivo, especialmente para pessoas que já
têm uma doença debilitante, é muito desgastante?. Um dos problemas,
segundo ele, da distribuição do SUS, é a pouca quantidade de postos
destinados a entregar a medicação.



*Tratamento particular*

De acordo com Henrique Ferraz, os custos do tratamento são variados,
pois além de o médico necessitar diagnosticar o estágio da doença,
precisa combinar drogas para estabelecer o tratamento. ?Na fase inicial,
o paciente gasta em média cerca de R$ 50 a R$ 60 reais por mês. Conforme
a doença vai evoluindo, os gastos também vão aumentando e durante a fase
avançada pode-se gastar mais de R$ 300 reais por mês?, disse. Ele
ressaltou que a estimativa, na verdade, ainda fica bem abaixo dos gastos
reais do paciente, pois há também custos de passagens, médico, e tempo
que o cuidador (geralmente alguém da família) deixa de produzir para
auxiliar o paciente.

A médica Mônica Santoro Haddad lembrou que uma forma de amenizar os
gastos é a possibilidade que o doente tem de ser isento do Imposto de
Renda, fato que segundo ela, é geralmente desconhecido pela população.


*O futuro da doença de Parkinson*

Mônica falou que os tratamentos em estudo que mais prometem ajudar os
pacientes são os que conferen neuro-proteção, neuro-resgate e
neuro-restauração. A neuro-restauração, consiste em aumentar o número de
neurônios. A neuro-proteção seria capaz de reduzir, de parar a
progressão da doença. Já o neuro-resgate, que é a capacidade de
regenerar os neurônios, tem ganhado destaque, segundo a médica, com as
células-tronco. No entanto, ela afirma que até agora esses estudos
investigaram o processo apenas em animais, ?e até chegar ao homem serão
necessários 10 anos ou mais?.


*Suporte*

Samuel Grossman, presidente da Associação Brasil Parkinson, mostrou, na
coletiva, através de vídeos, livros e fotos, como o suporte pode
auxiliar os pacientes. Criada em 1985, a Associação desenvolve
atividades de pintura em seda, terapia ocupacional, dança, e oferece
seções de fisioterapia individual e em grupo, fonoaudiologia, e outras
práticas terapêuticas. A Brasil Parkinson é uma ONG que busca integrar
pacientes com a doença e que disponibiliza essas atividades de forma
gratuita. Para os médicos palestrantes, essas atividades ajudam no
convívio social. Henrique Ferraz afirmou que ?em princípio, os pacientes
não querem ir, pois têm medo de se deparar com pacientes em estágio
avançado da doença e projetar seu futuro, mas quando lá chegam gostam?.

sábado, 6 de junho de 2009

Doença vascular aterosclerótica pode estar associada à osteoporose ou osteopenia na pós-menopausa

Pesquisadores do departamento de medicina do New York Medical College (EUA) analisaram retrospectivamente os registros médicos de 101 mulheres na pós-menopausa de uma casa de repouso com o objetivo de investigar se existe uma associação entre osteoporose ou osteopenia e doença vascular aterosclerótica (AVD), doenças comuns nesta população.

Os resultados do estudo, publicado na edição de setembro/outubro de 2006 da revista científica “Archives of Gerontology and Geriatrics”, mostram que, das 101 mulheres analisadas, 51 apresentavam osteoporose ou osteopenia e 50, BMD normal. A densidade foi medida por DEXA, obtido de um banco de dados com radiologia computadorizada, e foi considerada baixa quando ≥1,5 do desvio padrão entre a média de uma coorte de mulheres jovens.

De acordo com o texto, a idade média e a prevalência de tabagismo, hipertensão, diabete melito e hipercolesterolomia não foram significativamente diferentes entre os grupos. Entretanto, um percentual maior de mulheres com osteoporose ou osteopenia apresentou AVD. “AVD esteve presente em 31 das 52 mulheres (51%) com osteoporose ou osteopenia e em 19 das 50 mulheres (38%) com BMD normal”, afirmam os autores do estudo, Gayatri Gupta e Wilbert Aronow, no artigo. Segundo eles, AVD foi diagnosticada quando havia doença arterial coronariana documentada, doença cerebrovascular ou doença arterial periférica.

Prevalência de sobrepeso e obesidade é alta entre índios do Alto Xingu

Pesquisa mostra que mais da metade da população analisada apresentou índices de massa corporal elevados. Além do sobrepeso e da obesidade, as taxas de dislipidemia e os níveis pressóricos também foram maiores entre os homens.

A saúde de uma pessoa está diretamente relacionada ao ambiente e às condições de vida da comunidade em que ela vive. Mudanças no estilo de vida e no hábito alimentar podem torná-la mais susceptível às doenças crônicas não-transmissíveis, tais com as doenças cardiovasculares e o diabetes mellitus. Como as populações indígenas no Brasil sofreram, nas últimas décadas, mudanças drásticas no estilo de vida, Suely Gimeno e equipe da Universidade Federal de São Paulo resolveram descrever o perfil metabólico e antropométrico de índios Aruák (Mehináku, Waurá e Yawalapití) que habitam o Alto Xingu, com ênfase nas prevalências de excesso de peso (sobrepeso e obesidade), hipertensão arterial, dislipidemias e intolerância à glicose.

Entre julho de 2000 e outubro de 2002, 201 indivíduos de ambos os sexos e com pelo menos 20 anos de idade foram submetidos a exames físicos (antropometria e pressão arterial) e de laboratório (glicemia de jejum, lípides séricos e ácido úrico). De acordo com artigo publicado na edição de agosto de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, ?mudanças no estilo de vida tradicional incluindo menor grau de atividade física, consumo de dietas ricas em carboidratos, em gorduras e pobres em fibras e, conseqüentemente, a obesidade, estão associadas ao aumento tanto da incidência quanto da prevalência da hipertensão arterial e do diabetes mellitus?.

Os resultados mostram que índios do sexo masculino, quando comparados aos do sexo feminino, apresentaram valores médios menores de dobras cutâneas e de HDL colesterol, e maiores do índice de massa corporal, de circunferência do braço, de pressão arterial sistólica e diastólica, de triglicérides, de VLDL e de ácido úrico. De acordo com a equipe, ? as prevalências de sobrepeso (51,8%,), obesidade (15%), dislipidemia (77,1%) e níveis pressóricos elevados (37,7%) foram maiores entre os homens, enquanto que as mulheres apresentaram maior prevalência de obesidade abdominal (52,1%), independentemente da idade e da tribo de origem?.

Segundo os especialistas, medidas que visem tanto ao controle como à prevenção da obesidade e outros fatores de risco cardiovasculares entre os índios devem ser implementadas. ?As altas porcentagens de indivíduos com excesso de peso, dislipidemias e elevação dos níveis pressóricos revelam que os índios pioraram seu perfil metabólico e perderam a proteção contra as doenças crônicas não-transmissíveis, quer pelo fato de outrora apresentarem biótipo saudável (menor porcentagem de tecido adiposo e maior de massa muscular), quer pela redução na prevalência de doenças infecciosas? principais causas de morbi-mortalidade, nas
décadas passadas, entre esses povos?, afirmam.

Classe social mais alta está relacionada a menores perdas dentárias

Pesquisa realizada em Maceió (AL) mostra que a principal razão das perdas permanentes entre as pessoas menos abastadas é a cárie dentária. No estudo, os pacientes apresentaram em média 16,59 dentes cariados, perdidos ou obturados.

A perda de dentes causa transtornos psicossociais, como dificuldade de relacionamento, insegurança e outros de ordem sistêmica, como disfunções gastrointestinais e má nutrição. Levando em consideração que a razão da extração dental associada à classe social tem sido pouco avaliada nos estudos sobre perdas dentárias, Renata Cimões e equipe da Universidade Federal de Pernambuco resolveram determinar a influência da classe social nas razões clínicas das perdas dentárias em adultos da cidade de Maceió (AL).

O trabalho envolveu 466 pessoas, com idade entre 18 a 76 anos, que tiveram seus dados socioeconômicos e demográficos coletados através de um formulário. O exame clínico determinou a razão pela qual o dente seria extraído e houve registro do CPOD de todos os pacientes. De acordo com artigo publicado na edição de novembro/dezembro de 2007 da revista Ciência & Saúde Coletiva, o conhecimento das razões pelas quais os dentes permanentes são extraídos é necessário para organizar e efetivar estratégias adequadas para prevenção e tratamento das doenças bucais, pois com esse conhecimento será possível melhorar as condições de saúde bucal.

Os pesquisadores observaram que 79,2% dos entrevistados não tinham completado o segundo grau e 82,6% apresentaram renda familiar de até quatro salários mínimos. A principal razão das perdas dos dentes permanentes foi a cárie dentária. Segundo eles, os pacientes apresentaram em média 16,59 dentes cariados, perdidos ou obturados, e a maioria apresentou CPOD entre 11 e 20 dentes. A equipe constatou ainda associação significativa entre a razão da perda e o grupo social a que pertencia o paciente.

Dessa forma, os especialistas concluem que a classe social influenciou significativamente na razão clínica da perda dentária. No estudo, ficou evidenciado que os pacientes incluídos no grupo que representava a burguesia, nova pequena burguesia e pequena burguesia tradicional tiveram percentualmente menos perda por cárie quando comparados aos grupos. A classe social baixa determina a perda dentária por razões biológicas (cárie, doença periodontal), pois para esses indivíduos não há recursos para que a saúde seja restabelecida, perdem mais dentes por cárie e apresentam maior número de dentes perdidos, o que não ocorre para indivíduos de classe social elevada, onde a indicação para exodontia pode ser revertida tanto para tratamentos restauradores como os protéticos, explicam no artigo.

Medidas biomédicas simples podem ajudar médicos na avaliação do prognóstico de idosos

Segundo estudo publicado na edição de novembro/dezembro dos Archives of Gerontology and Geriatrics, pressão sanguínea sistólica, glicemia de jejum e hemoglobina podem ser úteis na prática clínica.

Estabelecer um perfil de risco de mortalidade baseada em condições das doenças e medidas biomédicas baratas, como por exemplo pressão sanguínea sistólica, glicemia de jejum e hemoglobina identificados no estudo pode ajudar os médicos na avaliação do prognóstico das pessoas idosas. Essa é a conclusão de um estudo realizado em Taiwan e publicado na edição de novembro/dezembro dos Archives of Gerontology and Geriatrics. Os resultados deste estudo revelam a importância de incorporar medidas clínicas e laboratoriais na avaliação de mortalidade em adultos idosos, afirmam Tzuo-Yun Lan, da divisão de gerontologia do National Health Research Institutes de Taiwan, e colegas, autores do pesquisa.

De acordo com o artigo, o objetivo do estudo foi investigar a relação de medidas clínicas e laboratoriais com todas as causas de mortalidade e avaliar a importância de seu potencial clínico em predição de mortalidade em adultos idosos. Embora alguns testes clínicos e laboratoriais tenham sido estudados na sua relação individual com a mortalidade total ou por causa específica, como a cardiovascular, o efeito total destes indicadores na mortalidade raramente foi avaliado, afirmam os pesquisadores.

Ao todo, foram avaliadas 2.086 pessoas com 65 anos de idade ou mais que participaram do exame de saúde de base populacional em 1995 e 1996 na cidade de Kaohsiung, Taiwan, e que foram acompanhadas até o fim de 2003.

Segundo o texto, as medidas selecionadas para análise foram: freqüência de pulso, pressão arterial, altura, peso, níveis séricos de colesterol, triglicérides, creatinina e ácido úrico, glicemia de jejum (FGB), hemoglobina (HG) e contagens de células brancas (WBC) e vermelhas (RBC). Uma vez coletadas as informações, os pesquisadores utilizaram a regressão de Cox para selecionar medidas significativas para a mortalidade total. Além disso, todos os participantes foram posteriormente classificados em grupos de risco, baseados na história da doença e nos valores das medidas identificadas nas análises, para avaliar o risco de mortalidade.

Os resultados mostraram que, ao todo, 409 participantes faleceram durante uma média de 8,2 anos de follow-up. Entre todas as 14 medidas avaliadas individualmente, cinco (pressão arterial sistólica [SBP], creatinina, ácido úrico, FBG e HG) foram estatisticamente relacionadas à mortalidade total. SBP, FBG e HG foram, além disso, identificadas como tendo efeito independente na mortalidade total na análise multivariada, ressaltam os autores.

Pesquisa avalia conhecimento de grávidas do Rio Grande (RS)

Resultados mostram que o conhecimento das mulheres sobre os exames necessários durante o pré-natal, bem como sobre as situações que indicam risco durante a gravidez, esteve muito aquém do desejado.

Apesar de diversos programas e ações terem sido implementados no Brasil nas últimas décadas, a redução dos riscos à gravidez com conseqüente melhoria nos indicadores de saúde materna está longe de ser realidade. Isso é o que mostram Raúl Mendoza-Sassi da Universidade Federal do Rio Grande em um estudo que teve como objetivo avaliar o nível de conhecimento que 367 gestantes residentes na periferia da cidade de Rio Grande (RS) têm sobre o pré-natal e sobre a identificação de situações de risco à gravidez.

De acordo com artigo publicado na edição de setembro de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, os dados apresentados no trabalho são provenientes de um estudo transversal realizado entre mulheres com até 16 semanas de gravidez residentes na periferia da cidade, as quais foram identificadas mediante visita a todos os domicílios de todos os bairros da área selecionada, entre os meses de agosto de 2004 e março de 2005.

Os resultados mostram que, com exceção do exame de urina e do teste para HIV referidos espontaneamente como necessários, os demais procedimentos foram citados por cerca de 30% das entrevistadas. Já toque vaginal, exames de mamas e citopatológico de colo uterino foram referidos por, no máximo, 7% delas. Além disso, somente dois terços mencionaram sangramento vaginal e dores abdominais como sinais de gravidade, afirmam os especialistas no artigo.

Os pesquisadores concluem que o conhecimento de exames durante o pré-natal, bem como de situações que indicam gravidade, esteve muito aquém do desejado. Os achados deste estudo evidenciam a necessidade de intensificar o processo educativo entre as gestantes, permitindo, assim, que o conhecimento sobre a atenção no pré-natal seja mais adequado e difundido. Essa ação diminuiria a assimetria na relação gestante-serviço de saúde e melhoraria a qualidade da atenção com conseqüente impacto sobre a morbi-mortalidade materno-infantil, sobretudo no período perinatal, destacam.

Brasil destina à saúde o que países desenvolvidos investiam na década de 80

Doenças como malária ainda são uma realidade. Problemas como estes foram apontados por pesquisador, durante evento, como fatores de interferência no processo de incorporação de tecnologia à saúde no país.

Com o objetivo de discutir novas propostas para a saúde, representantes de empresas, consumidores e do governo reuniram-se hoje na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Para representar a visão dos consumidores, a advogada Maria Stella Gregori, lembrou que o autor do livro prega através de sua análise sobre o sistema de saúde nos EUA que há atualmente uma grande competição neste setor, mas que ela não está funcionando. Isto porque não tem conseguido trazer qualidade, nem tem gerado valor para o paciente.

A melhoria só seria alcançada com o foco destinado ao paciente. Ela destacou ainda que para Porter o valor da saúde é quantificado através do dinheiro investido em saúde. Ela, então, concluiu que no Brasil há a necessidade de se estabelecer também um valor para a saúde. Segundo Gregori, a Constituição Federal já traz princípios que ajudam a nortear esta busca, pois aborda a dignidade humana, o consumidor de forma diferenciada e a saúde como um bem de todos.

Para a advogada, o Brasil já avançou em muitos pontos, pois criou a Lei 9.656/98 e a ANS (Agência Nacional de Saúde), órgão regulador. Portanto, considerou que o país tem instrumentos para avançar sobre a questão da saúde, e que para a conceituação de valor será necessário um equilíbrio entre prestadores e consumidores. "É importante lembrar que saúde é uma atividade onde o social se sobrepõe ao econômico", ressaltou.

Já Marcos Bosi Ferraz, do Centro Paulista de Economia da Saúde / Unifesp e do Fleury Medicina e Saúde, trabalhou com a questão da incorporação da tecnologia à saúde. Ele afirmou que, hoje, o Brasil "tem problemas de saúde e recursos financeiros do século passado". "Em 2006 o país destinou ao Sistema de Saúde o mesmo que países desenvolvidos investiam nos anos 80", disse. O que, na verdade, interfere sensivelmente no consumo de tecnologia. Ele disse que, no país, "doenças como tuberculose, infecção e malária ainda não estão resolvidas. E, no entanto, outros atuais passaram a existir como, por exemplo, Alzheimer".

Segundo Ferraz, o ritmo de geração de novos conhecimentos cresce muito acima da capacidade da sociedade, como um todo, de ter acesso aos mesmos.Ele afirmou que atualmente considerando um medicamento que tenha eficácia de 80% em uma amostragem de mil pacientes, em um mundo real, vários fatores vão influenciar o resultado final. Por exemplo, o acesso ao sistema de saúde, a precisão do diagnóstico, a eficácia do tratamento, a aderência do prestador e a aderência do paciente. Tudo isso somado, faz com que apenas 47% desses 1000 pacientes sejam curados. Ele destacou, ainda, que em países com problemas no sistema, por exemplo, nos em desenvolvimento esta estimativa pode chegar ao extremo de 9% de pacientes curados. Assim, concluiu que para o incremento da sáude é necessário que se definam prioridades, que se preste assistência baseada em evidência e quando necessário se economize.

O representante do governo, Fausto Pereira dos Santos, diretor da Agência Nacional de Saúde (ANS), destacou que é impossível regular um sistema que tenha ênfase apenas no setor econômico, sendo o social imprescindível. Da forma que é impossível gerir com o fluxo de caixa. Ele destacou ainda que é fundamental trabalhar a questão do resultado, pois não se pode pagar da mesma maneira quando se tem resultados diferentes positivo, negativo ou nulo.

Para ele, apesar dos avanços nos últimos anos, no país ainda há um grande problema com relação as questões de longo prazo, pois apenas as de resultado imediato são valorizadas. Exemplificou com a questão da remuneração, "quando se propõe a remuneração baseada no resultado, a primeira coisa que acontece é o questionamento do prestador com relação ao lucro. O mesmo ocorre com os planos de saúde que questionam quanto será economizado no mês". Ele concluiu afirmando que o país já demonstra solidez suficiente para sair do curto prazo.

O evento teve como ponto de partida o livro "Repensando a saúde: estratégias para melhorar a qualidade e reduzir os custos", dos americanos, Michael E. Porter e Elizabeth Olmsted Teisberg, e foi organizado pela AMIL.

Nefropatia da membrana basal fina e glomerulonefrite por IgA podem ser diferenciadas sem biópsia renal?

Pergunta foi ponto de partida de estudo australiano publicado na edição de outubro da Nephrology, no qual foram analisados 248 pacientes com o objetivo de identificar fatores clínicos ou bioquímicos que permitissem uma diferenciação confiável entre as duas condições.

Estudo publicado na edição de outubro da Nephrology concluiu que nefropatia da membrana basal fina (TBMN) e glomerulonefrite por IgA (IgA gn) podem, em geral, ser diferenciadas com base apenas em variáveis clínicas ou patológicas sem necessidade de biópsia renal em pacientes com hematúria microscópica isolada (IMH) e uma história familiar positiva ou de IMH ou de TBMN comprovada através do procedimento.

Entretanto, segundo David K Packham, do departamento de nefrologia do Royal Melbourne Hospital (Austrália) e autor do artigo, TBMN e IgA gn não podem ser diferenciadas com base apenas em variáveis clínicas ou patológicas em outros casos. "Nenhuma variável clínica ou patológica discriminou adequadamente as duas condições uma da outra", afirma.

De acordo com o artigo, a função renal prejudicada e proteinúria pesada foram altamente específicas para IgA gn, mas faltou sensibilidade na diferenciação da TBMN. Já a IMH foi um achado mais comum em pacientes diagnosticados com TBMN, mas, como um discriminador entre TBMN e IgA gn, careceu de suficiente especificidade. "Entretanto, se suposições forem feitas baseadas na diferença em incidência de uma história familiar positiva entre IgA gn e TBMN, então uma especificidade de >99% pode ser alcançada", ressalta Packham.

Ao todo, o estudo analisou, retrospectivamente, 248 pacientes diagnosticados com biópsia renal como tendo ou TBMN ou IgA gn e buscou identificar fatores clínicos ou bioquímicos que permitissem uma diferenciação confiável entre as duas condições a ser feita sem recorrer à biópsia renal. "Como se estima que TBMN ocorra em até 1% da população em geral, é desejável que a diferenciação entre as duas condições seja feita sem recorrer à biópsia renal", explica o autor.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Pesquisa constata grave situação nutricional de população indígena de Rondônia

Resultados mostram altas prevalências de baixa estatura e baixo peso entre as crianças menores de cinco anos e condições mais desfavoráveis tanto de adultos quanto de crianças durante os meses de chuva.

As condições de alimentação e nutrição dos povos indígenas no Brasil ainda são, em sua grande maioria, desconhecidas. Os trabalhos já realizados constituem estudos de caso e, embora possam apontar para a existência de tendências ou padrões epidemiológicos específicos, as possibilidades de generalização a partir deles são limitadas. Nesse sentido, Maurício Leite da Universidade Federal de Santa Catarina e equipe resolveram descrever a antropometria nutricional de uma população indígena do sudoeste amazônico, conhecida como Wari', que constitui o povo indígena mais numeroso de Rondônia.

Foram realizados dois inquéritos antropométricos de modo a investigar a situação nutricional da população. Nos inquéritos, que tiveram seis meses de diferença, foram examinados 279 e 266 indivíduos com idades entre zero e 87 anos. De acordo com artigo publicado na edição de novembro de 2007 dos Cadernos de Saúde Pública, foi dada atenção especial às flutuações sazonais das condições de nutrição, à identificação dos grupos populacionais mais afetados por estas flutuações e, por fim, à possibilidade de incorporação desta dimensão às rotinas de vigilância nutricional dirigidas ao segmento indígena da população brasileira.

Os resultados mostram que as prevalências de baixa estatura (61,7%) e baixo peso (51,7%) entre as crianças menores de cinco anos estão entre as mais elevadas já registradas na literatura sobre populações indígenas no Brasil. Sobrepeso e obesidade não foram expressivos na população. Segundo os especialistas, o perfil nutricional das crianças Wari' associa-se aos fatores ambientais aos quais estão expostas. O registro de déficits antropométricos alarmantes é compatível com as precárias condições de saneamento observadas nas aldeias água de consumo doméstico não tratada; presença constante de animais domésticos no domicílio e peridomicílio; e destino inadequado dos dejetos.

Em relação às flutuações sazonais, a equipe constatou, por meio dos perfis antropométricos, condições mais desfavoráveis durante os meses de chuva, quando as prevalências de desnutrição em crianças aumentam, e adultos de ambos os sexos apresentam menores médias de peso corporal. Dessa forma, os pesquisadores alertam para a necessidade de se considerar a sazonalidade na definição de rotinas de vigilância nutricional e na discussão dos perfis de nutrição de povos indígenas.

A questão da sazonalidade tem implicações importantes no que se refere às rotinas de vigilância nutricional, à medida que se pode esperar o agravamento do perfil nutricional da população em um período específico do ano. Esse padrão cíclico confere um caráter de previsibilidade ao processo. Apresenta-se aqui, portanto, uma oportunidade ímpar para as rotinas de acompanhamento nutricional de populações indígenas, que aponta para a franca possibilidade de se intervir precocemente na trajetória de comprometimento nutricional, destacam no artigo.

Alergia a leite de vaca é associada a risco elevado de fratura em meninas


Entretanto, segundo artigo publicado na edição de dezembro do Journal Osteoporosis International, os autores não puderam afirmar se essa associação é devido à doença, ao deficit de cálcio ou a um deficit de outros nutrientes do leite.

Estudo realizado por pesquisadores da Polônia e da Austrália concluiu que a alergia ao leite de vaca é associada a um risco elevado de fratura em meninas. Entretanto, de acordo com o artigo sobre a pesquisa, publicado na edição de dezembro da Osteoporosis International, os autores não sabem afirmar se essa associação é devido à doença, ao deficit de cálcio ou a um deficit de outros nutrientes do leite. Além disso, com base nos resultados em geral, os cientistas destacam que a contribuição da dieta sem leite, como a razão de fraturas entre crianças e adolescentes, é modesta.

"Uma ingestão de cálcio abaixo da ingestão diária de referência (RDI) de 800-1200mg/dia durante o crescimento é considerada como relacionada ao aumento do risco de fratura, embora sejam escassas evidências convincentes para esta visão", explicam os pesquisadores. De acordo com eles, o ponto de partida do estudo foi a hipótese de que a escassez de evidência pode ser, em parte, devido ao fato de muitos participantes de estudos ingerirem cálcio suficientemente. "Crianças e adolescentes com alergia a leite de vaca (CMA) evitam leite e têm uma ingestão de cálcio abaixo do RDI", defendem.

Os resultados mostraram que, entre as meninas, 29,4% dos casos (criança com fratura) e 11,8% dos controles (sem fratura) tinham uma história de dieta sem leite, produzindo uma odds ratio (OR) para fratura associada à dieta sem leite de 4,6. Já nos meninos, 23% dos casos e 19% dos controles tinham um histórico de dieta sem leite, o equivalente a uma OR de 1,3. "Se a prevalência de CMA na população é de 5%, apenas 6,7% das fraturas que ocorrem são atribuíveis à alergia ao leite de vaca e ao deficit nutricional associado", afirmam J. Konstantynowicz, do departamento de pediatria da Medical University of Bialystok (Polônia) e primeiro autor do artigo, e colegas no texto.

Com o objetivo de examinar a associação entre o consumo de uma dieta sem leite e o risco de fratura, o estudo conduzido na Polônia incluiu 57 meninos e 34 meninas, com idade entre 2,5 e 20 anos e fraturas (casos), foram aleatoriamente pareados por idade e sexo a 171 meninos e 102 meninas sem fraturas (controles). Segundo o artigo, o peso e a altura foram examinados utilizando os métodos padrão, e a densidade mineral óssea e a composição corporal também foram avaliadas.